Re: ARLA/CLUSTER: Off Topic: Stephen Hawking diz que os buracos negros não existem

EA ct1eew gmail.com
Quarta-Feira, 19 de Março de 2014 - 22:02:29 WET


Isto tudo está a levar uma volta…

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EA




enviado do meu MacBook Pro


No dia 19/03/2014, às 20:12, João Costa > CT1FBF <ct1fbf  gmail.com> escreveu:

> A informação sobre a matéria e a energia estaria prisioneira apenas de
> forma temporária, e poderia emergir depois, embora de forma caótica
> 
> Stephen Hawking e os buracos negros estão indissoluvelmente ligados.
> Não é que ele os tenha descoberto, nada disso, mas suas pesquisas e
> importantes contribuições sobre esses exóticos objetos previstos
> teoricamente e detectados (por seus efeitos) no universo remontam a
> trabalhos cruciais feitos há mais de quatro décadas. Agora, porém, ele
> afirma que os buracos negros não existem, pelo menos não como se
> entendem habitualmente. Nesta semana (22 de janeiro de 2014 -
> http://arxiv.org/pdf/1401.5761.pdf ) ele apresentou um artigo, uma
> pré-publicação que ainda não passou pelo processo normal de revisão
> científica, mas que imediatamente ganhou notoriedade. Assina-o
> sozinho, tem quatro páginas (uma de apresentação, duas de argumentos e
> a última de referências) e recebeu um título estranho: Conservação da
> Informação e Previsão Meteorológica para os Buracos Negros. Os físicos
> habitualmente apresentam seus artigos no site arXiv, onde são
> públicos, antes de submetê-los ao processo de avaliação por pares,
> algo obrigatório para a sua publicação oficial.
> 
> Um buraco negro, em princípio, é algo simples: um lugar em que a
> matéria e a energia são tão densas que sua gravidade curva o
> espaço-tempo, a ponto de que nada, nem mesmo a luz, pode escapar. Mas
> além disso, dadas as suas condições extremas, trata-se de um campo de
> provas predileto dos físicos teóricos para explorarem suas
> conjecturas.
> 
> O ponto crítico dos buracos negros que Hawking agora ataca é o
> denominado “horizonte de acontecimentos”, essa fronteira a partir da
> qual nada pode escapar da atração gravitacional, nem a luz. “Não há
> saída de um buraco negro na teoria clássica, mas a teoria quântica
> permite que a energia e a informação escapem dele”, explicou o próprio
> Hawking à revista Nature, que informa em sua seção de notícias on-line
> sobre esse último artigo do célebre físico britânico. Para explicar
> todo o processo, seria necessário obter finalmente a plena integração,
> sob uma teoria única, da gravidade com as outras duas forças
> fundamentais da natureza (ou seja, a relatividade geral, que rege o
> universo macroscópico, e a mecânica quântica, que rege o mundo
> subatômico), reconhece o cientista. Mas essa fusão há muito tempo
> desafia os esforços dos físicos, e, por enquanto, “o tratamento
> correto continua sendo um mistério”, acrescenta Hawking.
> 
> Em seu novo artigo, ele propõe que não há um horizonte de
> acontecimentos em torno do buraco negro, e sim um horizonte aparente,
> que “aprisiona a matéria e a energia apenas temporariamente, antes de
> emiti-la de novo, embora de forma caótica”, relata Zeeya Merali na
> Nature. A ideia de Hawking é que os efeitos quânticos ao redor do
> buraco negro provocam flutuações muito violentas para que essa
> fronteira definida possa existir.
> 
> O horizonte de acontecimentos, consequência direta da Teoria da
> Relatividade de Einstein, é a superfície ao redor do buraco negro que
> não pode ser superada por nada que esteja apanhado dentro dele, nem
> sequer a luz, razão pela qual nenhuma informação poderia sair de lá.
> Segundo a teoria clássica, num famoso experimento teórico um
> astronauta que caísse em um buraco negro atravessaria o horizonte de
> acontecimentos sem notar nada de especial, e a partir daí ficaria
> inicialmente esticado como um espaguete (a enorme atração
> gravitacional é maior nos seus pés do que na cabeça), para então
> acabar completamente esmagado no núcleo imensamente denso do buraco.
> 
> Mas, há alguns anos, o físico Joseph Polchinski alterou esse cenário
> propondo em troca um muro de fogo: segundo a teoria quântica, o
> horizonte de acontecimentos é na realidade uma região de energia muito
> alta, em que o astronauta acabaria torrado. Isso pressupõe um desafio
> à relatividade, recorda Merali na Nature, já que, segundo a teoria
> einsteiniana, o horizonte de acontecimentos do buraco negro “deveria
> passar despercebido” para o astronauta em queda. A alternativa que
> Hawking propõe, respeitando tanto a relatividade como a teoria
> quântica, é que os efeitos quânticos ao redor do buraco negro provocam
> uma violenta flutuação do espaço-tempo, o que impede a existência de
> uma fronteira bem definida, descartando assim o muro de fogo.
> 
> O horizonte aparente, que a luz não consegue superar para emergir do
> buraco negro, prossegue Merali, e o horizonte de acontecimentos seriam
> idênticos em um buraco negro que não variasse. Mas, se o buraco negro
> vai tragando mais material, o horizonte de acontecimentos cresce e se
> torna maior do que o aparente. Além disso, com a famosa radiação
> Hawking, proposta há quatro décadas, o buraco negro pode encolher, e o
> horizonte de acontecimentos seria menor que o aparente. Essa variação
> permitiria, na teoria, que a luz escape do buraco.
> 
> O físico britânico sugere que a fronteira real é o horizonte aparente,
> e que “a ausência de um horizonte de acontecimentos significa que não
> há buracos negros […] no sentido de regimes dos quais a luz não pode
> jamais escapar”, embora ele não especifique como esse horizonte de
> acontecimentos pode desaparecer.
> 
> “A ideia de um horizonte aparente não é completamente nova”, observa
> Jacob Aron na New Scientist. Ele e Roger Penrose, recorda, já
> utilizaram a relatividade geral para demonstrar que os dois horizontes
> eram idênticos. Agora, “nesse último artigo seu, [Hawking] está
> propondo que a mecânica quântica pode revelar que eles são
> diferentes”. Mas essa não é a maior novidade do seu último trabalho,
> considera Aron, e sim “a tentativa de utilizar essas ideias para
> resolver a paradoxo do muro de fogo: ao eliminar o horizonte de
> acontecimentos, mata-se também esse muro de fogo”. E isso significa
> que desaparece também a consequência óbvia do mesmo, a saber, que a
> informação não pode emergir de maneira alguma do sumidouro negro,
> porque o muro de fogo a destrói.
> 
> Assim, Hawking dá uma oportunidade para que a informação escape da
> matéria aprisionada no buraco negro. Mas com limitações: “A estrutura
> de um buraco negro imediatamente por baixo do horizonte é caótica, o
> que dificulta a compreensão da informação que possa sair dele, em
> outras palavras, a informação se perde, no sentido de que seria quase
> impossível interpretá-la, mas não está destruída”, afirma Aron. É como
> a previsão meteorológica – daí o título do artigo do físico britânico
> –, porque “não se pode predizer o tempo senão com alguns poucos dias
> de antecedência”.
> 
> Don Page, especialista em buracos negros da Universidade de Alberta,
> no Canadá, observa na Nature que o caos da informação no buraco negro
> é tal que tentar interpretá-la após sua saída seria pior do que tentar
> reconstruir um livro queimado a partir de suas cinzas.
> 
> O breve artigo do Hawking não inclui cálculos, salienta Aron, “o que
> torna difícil tirar conclusões sólidas”. A nova ideia será estudada e
> discutida, e inclusive pode ser que o físico britânico faça alguma
> nova aposta com seus colegas, como já fez no passado – e às vezes
> perdeu –a respeito de questões profundas da física teórica. O que está
> claro é que nem a gravíssima incapacidade física da qual sofre nem
> seus 72 anos recém-completados comprometem a mente desse grande
> cientista.
> 
> ‘Minha breve história´
> 
> Com uma clara alusão ao seu famoso livro de física Uma Breve História
> do Tempo: do Big Bang aos Buracos Negros (1988), Stephen Hawking
> escreveu recentemente sua autobiografia com o título de Minha Breve
> História (Editora Intrínseca). O livro reúne suas recordações da
> infância na Londres do pós-guerra, seus estudos, seu trabalho e sua
> evolução intelectual, tudo isso salpicado de fotografias inéditas ou
> pouco conhecidas desse homem que não se rende nunca.
> 
> Ele acaba de completar 72 anos e continua trabalhando em sua adorada
> física teórica. Ocupou, até 2009, a cátedra Lucasiana de Matemática na
> Universidade de Cambridge (Reino Unido) e já escreveu ao longo de sua
> vida numerosos livros de divulgação, além de importantes trabalhos
> científicos.
> 
> Com 21 anos, Hawking foi diagnosticado com uma grave doença
> degenerativa, a esclerose lateral amiotrófica, que lhe provocou uma
> paralisia muscular progressiva. Apesar de a expectativa de vida de
> quem tem essa enfermidade ser geralmente de poucos anos, o cientista
> britânico sobreviveu, mesmo sofrendo problemas de saúde devastadores,
> como a traqueotomia que salvou sua vida em 1985, mas o deixou sem
> fala. A perspectiva de morrer cedo, recorda Hawking agora em seu
> livro, o impulsionou para o desafio intelectual.
> 
> “Hawking escreve de uma maneira comovedora”, escreveu o Financial
> Times sobre a autobiografia, salpicada de curiosidades de sua vida.
> “Nessa obra podemos escutar como sua voz é irradiada diretamente do
> buraco negro de sua doença, sem a amplificação e o detalhamento que
> acrescentavam os coautores com os quais escreveu seus últimos livros.”
> 
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