RE: ARLA/CLUSTER: Off Topic: Uma das colisões entre protões na experiência CMS que poderá ter revelado o bosão de Higgs

João Gonçalves Costa joao.a.costa ctt.pt
Quarta-Feira, 4 de Julho de 2012 - 11:14:15 WEST


9:18 Quarta feira, 4 de julho de 2012  Última atualização há 3 minutos  

Cientistas do Centro Europeu de Pesquisa Nuclear (CERN), organização a que Portugal pertence, anunciaram hoje de manhã numa conferência em Genebra (Suíça), que descobriram uma nova partícula subatómica que pode ser o bosão de Higgs, também conhecido por "partícula de Deus".

O Higgs é fundamental para explicar a razão por que todas as outras partículas que constituem a matéria têm massa, isto é, porque existe o Universo onde vivemos. No fundo, é a peça que faltava no puzzle do chamado Modelo-Padrão, uma colecção de teorias que integra todos os conhecimentos atuais sobre o comportamento das partículas fundamentais da matéria. 

A descoberta da nova partícula subatómica surge na sequência das experiências feitas pelo maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, localizado em Genebra, e neste momento decorre na sede do CERN uma conferência para a divulgação dos resultados das experiências feitas pelos detetores mais importantes do LHC: o CMS e o Atlas.

Esta descoberta é também o triunfo da ciência europeia a nível mundial, já que o maior acelerador de partículas dos EUA, o Tevatron (mais pequeno que o LHC), deixou de funcionar a 30 de setembro de 2011 devido a cortes orçamentais. 


Ambiente de euforia no CERN

"Temos o Higgs, concordam?", perguntou Rolf-Dieter Heuer, diretor-geral do CERN, dirigindo-se a uma plateia entusiasmada e festiva de centenas de cientistas da organização, que respondeu imediatamente que sim com aplausos prolongados e gritos de alegria.

"Foi um esforço global e um sucesso global, e esta descoberta só foi possível devido ao extraordinário desempenho do LHC", prossegui Heuer. "Este é um acontecimento histórico, estamos todos muito orgulhosos e quero aqui dar os parabéns a todos os que durante 25 anos trabalharam neste projeto", afirmou o diretor-geral, apontando para os cientistas da primeira fila do auditório, que se levantaram e agradeceram os aplausos do resto da assistência.

"Não esperava que a descoberta acontecesse ainda durante a minha vida" confessou Peter Higgs, o cientista britânico que deu o nome à nova partícula porque foi o primeiro a prever a sua existência em 1964, no final da conferência no CERN. Higgs salientou que "houve uma colaboração colossal de cientistas e centros de investigação de todo o mundo para chegarmos a este resultado" e contou como começou a sua investigação sobre a partícula subatómica mais procurada pela ciência.


Investigadores cautelosos

"Observámos nos nossos dados sinais claros da nova partícula, mas precisamos de mais algum tempo para preparar estes resultados de modo a poderem ser publicados", confirmou Fabiola Gianotti, porta-voz da experiência ATLAS. "As implicações desta descoberta são muito significativas e é precisamente por esta razão que devemos ser extremamente diligentes em todos os nossos estudos e verificações", salientou por sua vez Joe Incandela, porta-voz da experiência CMS.

"Estamos apenas no princípio", advertiu também Rolf-Dieter Heuer. Com efeito, os resultados hoje apresentados são preliminares e baseiam-se em dados recolhidos em 2011 e 2012, com os dados de 2012 em análise. A sua publicação está prevista para o final de julho e uma informação mais completa sobre as observações dos cientistas hoje divulgadas só surgirá no final deste ano, depois de o LHC fazer mais experiências (mais colisões de partículas) com mais dados. 

O passo seguinte será determinar a natureza precisa da nova partícula e o seu significado para entendermos o Universo. Com efeito, hoje a ciência só só conhece quatro por cento da matéria que constitui o Universo. Os outros 96 por cento continuam a ser um mistério, embora os cientistas investiguem várias hipóteses, como a existência das chamadas matéria escura e energia escura.

Ler mais: http://expresso.sapo.pt/cientistas-do-cern-anunciam-descoberta-da-particula-de-deus=f737354#ixzz1zeC9ya00 

-----Mensagem original-----
De: cluster-bounces  radio-amador.net [mailto:cluster-bounces  radio-amador.net] Em nome de João Costa > CT1FBF
Enviada: terça-feira, 3 de Julho de 2012 22:47
Para: Cluster-ARLA
Assunto: ARLA/CLUSTER: Off Topic: Suspense aumenta à espera das últimas notícias da partícula de Deus

 As especulações têm ido em crescendo nos blogues de física nos últimos dias. Será que é desta vez que o Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), perto de Genebra, na Suíça, onde está albergado o LHC, o maior acelerador de partículas do mundo, vai anunciar oficialmente a descoberta do bosão de Higgs?

O encontro com a verdade está marcado para esta quarta-feira, dia 4 de Julho, logo de manhã, quando os responsáveis das duas experiências que procuram o Higgs no LHC - a CMS e a ATLAS - vão revelar os mais recentes resultados do processamento dos dados obtidos nas colisões de protões que decorreram nesses dois gigantescos detectores de partículas subatómicas desde 2011.

Até lá, não saberemos mais nada, mas isso não tem impedido diversos especialistas de especularem. O físico norte-americano Peter Woit, autor do blogue Not Even Wrong, começa o seu último post com esta frase, que não poderia ser mais clara quanto às suas expectativas
pessoais: "O anúncio da descoberta do Higgs vai ser feito na próxima quarta-feira às 9h da manhã." Um outro blogue de física de partículas, o Résonaances, tem na sua página um relógio em contagem decrescente sob o título "A descoberta do Higgs dentro de...", com um desenho de duas taças de champanhe a entrechocarem-se.

Também alguma imprensa internacional mais arrojada já dá o facto por consumado. O britânico Daily Mail apresentava segunda-feira como elemento de prova da existência do dito bosão o facto de o próprio Peter Higgs, o cientista britânico que em 1964 teorizou a existência da partícula que leva o seu nome, ter sido convidado a assistir à apresentação de quarta-feira em Genebra. E o Sunday Times noticiava na sua última edição que Tom Kibble, um dos outros cinco cientistas que chegaram à mesma conclusão que Peter Higgs na mesma altura, também foi convidado para o evento, tendo declarado àquele semanário britânico que "os resultados devem ser bastante positivos para nos pedirem para estarmos lá".

Entretanto, os cientistas do Tevatron, no Fermilab, EUA - que até à entrada em funcionamento do LHC era o maior acelerador de partículas do mundo, mas que teve de fechar em Setembro passado por falta de fundos -, apresentaram ontem os resultados finais de dez anos de caça ao bosão de Higgs (2001-2011) durante os quais duas experiências, chamadas CDF e D0, registaram um total de 500 milhões de milhões de colisões de protões.

Segundo salientaram Eric James e Wade Fisher, os respectivos responsáveis pelas equipas que trabalharam nesses detectores, numa conferência transmitida segunda-feira por webcast em directo do Fermilab, se o CERN anunciar quarta-feira a descoberta do bosão de Higgs, o manancial de dados do Tevatron irá representar um importante contributo para afinar o estudo das propriedades da tão procurada e esquiva partícula.

O bosão de Higgs, que muitos gostam de designar de "partícula de Deus", é o único, de todo o bestiário de partículas previstas pelo chamado Modelo-Padrão, cuja existência ainda não foi demonstrada (o Modelo-Padrão é, por assim dizer, a "tabela periódica" das partículas elementares e das forças que as unem). O bosão de Higgs é essencial à explicação do mundo que nos rodeia, uma vez que é ela que confere, segundo o Modelo-Padrão, a sua massa às outras partículas (como os quarks, electrões e protões) - e que, sem ela, a matéria tal como a conhecemos, incluindo nós próprios, não poderia existir.


Fonte: Jornal Publico 03.07.2012 - 11:52 Por Ana Gerschenfeld



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