ARLA/CLUSTER: radioamadorismo sem futuro

Mariano Gonçalves ct1xi sapo.pt
Quarta-Feira, 10 de Janeiro de 2007 - 18:04:41 WET


Caro Salomão,

1 - (...) A actual conjuntura associativa, onde se colocam os interesses do
individuo acima dos interesses da comunidade, é um modelo condenado ao
fracasso.(...),

Este tem sido o modelo seguido particularmente por uma associação, e seus
dirigentes recentes, que sempre se colocaram numa postura de monopólio e
egocentrismo (nos últimos 25 anos) imaginado-se acima dos desígnios
nacionais do radioamadorismo português. Tem toda a razão e é oportuna a sua
chama de atenção.

2 - (...) O exagerado número de Associações em Portugal vai levar à extinção
de uma grande parte delas.(...)

Não considero exagerado, considero sim que deveriam existir muitas mais
associações e movimento associativo (por uma questão de descentralização
regional e maior participação cívica dos cidadãos), mas sustentáveis, ou
sejam, que fossem motores de um dinâmica de grupo que infelizmente não
existe no país, e menos ainda na actividade dos amadores de rádio.

3 -  (...) Por outro lado esta situação existe devido ao facilitismo com que
se cria uma Associação (...)

Felizmente que a Constituição da República depois do 25 de Abril de 1974 nos
consagra (entre muitos) dois direitos fundamentais, 1) o direito ao livre
associativismo, e 2) o direito e liberdade de escolha associativa.

Antes todos éramos obrigados a estar associados numa só associação, cuja
missão (passáda e presente, salvo o QSL) de triste protagonismo nacional
todos conhecemos.

4 - (...) A ANACOM exige um relatório de actividades anual às Associações,
se tal relatório não for entregue essa Associação "cessa" actividade junto
da reguladora (...)

Deveria cessar imediatamente, sim, num prazo máximo de 30 dias. Acho que tem
absoluta razão. E responder criminalmente por esse facto, salvo se
extinguisse ou não possuísse possibilidade de renovar os órgãos sociais,
extinguindo-se da mesma forma.

Infelizmente isso está na Lei, mas a ANACOM não tem exigido o seu cabal
cumprimento.
Esse modelo de fiscalização tem sido exemplarmente seguido por exemplo no
registo nacional das ONG, ou das Associações de Ambiente, que são anualmente
apoiadas pelo Estado (sim) mas para desenvolverem acções de âmbito local,
regional e nacional, e são pagas para esse desempenho, mas tem de cumprir
pressupostos, definidos pela administração central.

Julgo que, com imenso beneficio para a educação, muitas associações  de
radioamadorismo poderiam fazer o mesmo nas escolas, quer no radioamadorismo
técnico, quer desportivo e competitivo. Os EUA tem fundações para a educação
e ciência.

No radioamadorismo português é a permissividade total, não se faz, não se
exige, e nada se cumpre.
Daqui o descrédito em que tudo se afundou.
Quantas associações dizem que existem, sem sequer existirem de facto, e
quantos dirigentes associativos, em nome pessoal dizem que representam
direcções de organismos, que ou não estão legais, ou nem sequer funcionam.
Este é o problema, para a falta da credibilidade associativa.

Mas quem se atreve a vir controlar esta situação ? - A ANACOM seguramente
que não, pois nunca o fez.

5 - (...) Para cativar a juventude, se é efectivamente aquilo que queremos,
para as hostes do radioamadorismo há que "refrescar" as ideias e deixar o
conservadores à porta (...)

Abrir o acesso das crianças ao radioamadorismo (os jovens já é tarde), logo
a partir dos 7 anos de idade, ainda no ensino básico.

Repare que: quando em 1998 se quis criar o embrião de uma estrutura nacional
(então apoiada pelo ministério da ciência, dentro de uma associação filiada
na IARU, caiu o Carmo e a Trindade, porque os radicais, afirmaram que se
estava a desvirtuar o radioamadorismo, e mais; aquilo não era escola, nem
jardim de infância).
A verdade foi que, naquela época, se conseguiram mais de 350 voluntários em
todo o país, entre sócios e não sócios dessa associação, para participarem
no projecto, que eu tive depois de abandonar e recusar o apoio financeiro do
Estado, que era dirigido a todos aqueles que cooperavam no projecto (com
despesas e comprovada fundamentação orçamental), depois, para concluir,
levei roda de «gatuno».

Não me parece nunca, que e salvo raríssimas excepções, alguma vez, a
generalidade dos radioamadores se venha a empenhar nas coisas educativas e
dos jovens, embora alguns o façam, com manifesto empenho e satisfação, mas
são mera excepção.

Mas investir nas crianças e nos jovens é determinante para o nosso país e
para o radioamadorismo também, ou para a elevação dos aspectos da cultura de
ciência e tecnologia, portadoras de componentes ocupacionais e lúdicas de
forte pendor pedagógico e educativo também.

Apenas o egocentrismo de alguns negligentes de má-fé, não lhes permitiu
vislumbrar esta perspectiva de interesse público e nacional, mas mesmo
assim, assumiram-se (vaidosamente) como dirigentes e deitaram tudo a perder,
vejamos quais serão afinal as alternativas futuras (nenhumas).

Um abraço,

Mariano, CT1XI





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