<div dir="ltr"><div><br></div><div><table style="font-family:&quot;times new roman&quot;"><tbody><tr><td><img width="605.71" height="452.86" src="http://lilith.fisica.ufmg.br/~dsoares/wish/mat-en.jpg"></td></tr></tbody><caption align="bottom"><br><center><b>Figura 1</b></center><br>Joel Primack ilustra a desconcertante situação do balanço de matéria e energia do universo sem constrangimento e de forma extraordinária: <i>“Imagine que o universo inteiro Ã© um oceano de energia escura. Naquele oceano navegam bilhões de fantasmagóricos navios feitos de matéria escura…”</i> (Primack 2015). Apropriadamente, os navios navegam em um oceano turbulento… Ã  noite.</caption></table></div><div><br></div>Talvez um dos maiores problemas do modelo do Big Bang ou Estrondão, trave mestra do Modelo Cosmológico Padrão não responde, surpreendentemente, ao conteúdo do Universo. <div><br></div><div>Obviamente só podemos ver directamente matéria que emita luz, mas sucede que a maior parte da matéria do Universo não o faz. Por exemplo, pensa-se que a parte visível das galáxias está rodeada por halos de matéria escura (completamente desconhecida), com um tamanho que pode ser até 30 vezes maior do que o da parte visível. <br><br>Grosso modo, só cerca de 0,5% da matéria do Universo Ã© visível constituída fundamentalmente por Estrelas e Galáxias. Outros 4,5% são matéria escura normal, ou seja essencialmente bariões (protões e neutrões). Esta encontra-se muito provavelmente sob a forma de gás, de anãs brancas e castanhas, estrelas de neutrões e possivelmente buracos negros. Aqui temos 5% do que sabemos ou pensamos saber o que Ã© na realidade, mas a partir daqui, 95% Ã© pura especulação.<br><br>Cerca de 25% da matéria do Universo Ã© matéria escura fria, ou seja partículas exóticas pesadas e não-relativistas, como axiões ou WIMPS (Weakly Interacting Massive Particles). A matéria escura fria tende a agregar-se, em particular formando os halos galácticos e arrastando consigo os bariões durante o colapso.<br><br>Finalmente, cerca de 70% da densidade de energia do Universo está sob a forma de uma constante cosmológica (ou seja, energia do vácuo), ou de algo cujo efeito anti-gravitacional lhe Ã© muito semelhante. Ao contrario da matéria escura fria, esta componente nunca se agrega. Pelo contrário, forma uma distribuição homogénea e tende a acelerar a expansão do Universo. De facto há alguma evidência observacional para uma fase de expansão acelerada do Universo, que começou muito recentemente. Ã‰ interessante notar que um período de expansão acelerada no futuro, não poem quaisquer problemas do ponto de vista cosmológico.<br><br><br></div></div>