ARLA/CLUSTER: Satélites Meteorológicos: Comunicações 5G podem afetar previsões meteorológicas, são discutidas em Sharm el-Sheikh no Egipto

João Costa > CT1FBF ct1fbf gmail.com
Quarta-Feira, 30 de Outubro de 2019 - 17:23:54 WET


A proliferação das comunicações móveis 5G pode afetar as previsões
meteorológicas, pelo que os diferentes Governos devem proteger as
frequências radioelétricas atribuídas aos serviços de observação da
Terra.

O aviso partiu da Organização Meteorológica Mundial (OMM), que teme
que as interferências ou bloqueios nas frequências radioelétricas
atribuídas aos serviços de observação da Terra, o que terá
consequências na recolha de dados, importantes também para a
vigilância das alterações climáticas

Em causa não estão apenas as previsões do estado do tempo, mas também
a vigilância das alterações climáticas, caso as novas frequências
usadas pelos operadores de telecomunicações venham de alguma forma a
interferir ou bloquear o funcionamento dos satélites que permitem a
recolha de dados para esses serviços.

Um estudo recente publicado na revista especializada Nature antecipa
um cenário complicado, a menos que os reguladores ou empresas de
telecomunicações “tomem medidas para reduzir o risco de
interferência”, de acordo com o jornal espanhol ABC.


A capacidade de os satélites de observação detetarem “com precisão as
concentrações de vapor de água na atmosfera”, por exemplo, pode vir a
ser afetada, sendo este um dado essencial para se formularem previsões
meteorológicas em todo o mundo.

“Deve haver um equilíbrio entre os interesses comerciais e
tecnológicos de curto prazo e o bem-estar e segurança globais a longo
prazo. Não devemos correr o risco de perder muitas das conquistas
obtidas graças aos nossos serviços de alerta de catástrofes naturais”,
que permitem evitar a perda de vidas e propriedades, defendeu Eric
Allaix, da OMM, citado pelo semanário Expresso.

O problema vai ser discutido na Conferência Mundial de
Radiocomunicações - WRC-19, que decorre em Sharm el-Sheikh no Egipto
de 28 de outubro a 22 de novembro. Em análise estará o Regulamento das
Radiocomunicações, que gere o uso do espetro de radiofrequências e das
órbitas dos satélites.



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