ARLA/CLUSTER: Voyager 2 chegou ao espaço interestelar (e enviou uma mensagem para casa) que demorou mais de 16 horas a chegar à Terra

João Costa > CT1FBF ct1fbf gmail.com
Quarta-Feira, 6 de Novembro de 2019 - 16:03:36 WET


Dados gerais da emissão e recepção da Sondas Voyager 1 e 2:
Tx Voyager 1 ou 2: Abaixo de 23 W, actualmente 18 W ou menos.
Bandas usadas: S-Band (2 GHz) up/down for Command/Telemetry •
Currently at 16 bits/second uplink command rate / X-Band (8.4 GHz)
down for Science Data downlink • Currently at 160 Bits/Sec downlink
data rate

Tx da estação terrestre Deep Space Network (DSN) (via Madrid station
63): Aproximadamente 20,63 kW dependendo da banda e modo.
Rx da estação terrestre Deep Space Network (DSN): -245 dBm

Dados técnicos para comunicações com as sondas Voyager 1 e 2 disponíveis em:
https://descanso.jpl.nasa.gov/DPSummary/Descanso4--Voyager_ed.pdf

Após 42 anos de viagem, a Voyager 2 chegou ao espaço interestelar (e
enviou uma mensagem para casa)

Por ZAP -6 Novembro, 2019

Lançada em 1977, a segunda sonda da NASA a entrar no espaço
interestelar deu sinal de vida. A Voyager 2 emitiu um sinal fraco,
depois de ter saído no ano passado da heliosfera, o que significa que
“comunicou” fora do sistema solar.

De acordo com a agência espacial americana, a 5 de novembro de 2018, a
Voyager 2 chegou à “fronteira” do sistema solar. Foi detetado, na
altura, um grande aumento no fluxo de raios cósmicos vindos de fora do
sistema solar, tal como aconteceu com a Voyager 1, em 2012, cerca de
três meses antes de deixar a heliopausa, a última fronteira da
heliosfera e entrar no espaço interestelar.

A heliosfera é uma espécie de bolha protetora de partículas e de
campos magnéticos criada pelo nosso Sol. O vento solar cria uma imensa
bolha protetora chamada heliosfera que envolve o sistema solar. O
limite do sistema solar é chamado de heliopausa.

Agora a sonda Voyager 2 revela uma imagem mais detalhada sobre a
extremidade do nosso sistema solar. “Não sabíamos o tamanho da bolha e
certamente não sabíamos que a sonda poderia viver o tempo suficiente
para alcançar a extremidade da bolha e entrar no espaço interestelar”,
disse Ed Stone, do Instituto de Tecnologia da Califórnia, de acordo
com o LiveScience.

“Este é um momento muito emocionante para nós”, disse ainda o
cientista que está na missão da Voyager 2 desde o seu início. “Veremos
uma transição do campo magnético interno para outro campo magnético
externo e continuamos a ter surpresas em comparação com o que
esperávamos”.

A Voyager 2 chegou ao espaço interestelar quando estava a 18 mil
milhões de quilómetros do nosso sistema solar. As novas medições
feitas pela Voyager 2 mostram que o limite da heliosfera, zona que tem
a influência do sol, é muito mais nítido e mais fino em comparação com
o que a informação da Voyager 1.

Além disso, a heliosfera “é simétrica, pelo menos nos dois pontos em
que a sonda atravessou”, explica Bill Kurth, da Universidade de Iowa,
e coautor de um dos estudos.

O sinal que a Voyager 2 está a emitir demora mais de 16 horas a chegar
à Terra e tem uma potência equivalente à luz de uma arca frigorífica.

A longevidade das sondas permitiu à NASA estudar, para além de Júpiter
e Saturno, também os outros planetas gasosos, Urano e Neptuno, e o
espaço interestelar. No entanto, o instrumento que permite observações
ao Voyager 2, a Experiência Científica de Plasma (PLS), deixou de
funcionar em 1980.

Nenhuma das duas sondas saiu do Sistema Solar, cuja região mais remota
é a Nuvem de Oort, a quase um ano-luz do Sol. Esta zona é composta por
objetos gelados ainda sob influência da força gravitacional do Sol.

Os novos dados sobre a extremidade do nosso sistema solar, enviados
pela segunda sonda da NASA a entrar no espaço interestelar, foram
publicados esta segunda-feira em cinco artigos científicos na revista
especializada Nature Astronomy.

Fonte: ZAP //



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