ARLA/CLUSTER: 18 de Abril: Dia Internacional do Radioamador o que devemos comemorar.!?Visão desde o Brasil

João Costa > CT1FBF ct1fbf gmail.com
Quarta-Feira, 18 de Abril de 2018 - 10:31:30 WEST


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<http://www.cram.org.br/wordpress/wp-content/uploads/2015/04/images.jpg>*Por
Edson
Pereira, PY2SDR, e Demilson Quintão, PY2UEP.*

Todos os dias 18 de Abril, radioamadores de todo o mundo realizam
atividades comemorativas para celebrar o Dia Mundial do Radioamador. Esse
dia é comemorado desde 1925 quando a IARU (União Internacional dos
Radioamadores) foi fundada em Paris.

Mas, no Brasil, devemos comemorar?

É fato que em nosso país, quando falamos que somos radioamadores, a maior
parte das pessoas não fazem ideia do que estamos falando. Quando o fazem,
muitos acham que somos um “clã†que reúne pessoas que se sentam na frente
de um radiotransmissor e ficam conversando. Mas, por que pensam isso de nós?

Os radioamadores no Brasil, em sua grande maioria, não têm que lidar com
situações de emergência de grande monta. Felizmente nosso país não é
assolado por catástrofes naturais taís como terremotos, furacões, tornados
devastadores, dentre outras. Nos lugares onde ocorrem esses eventos, a
comunicação convencional acaba sendo interrompida por longos períodos
justamente no momento em que ela passa a ser vital no auxílio ao
atendimento das necessidades dos vitmados. Nessas situações, muitas vezes,
o radioamador passa a ser o elemento principal que possibilita as
comunicações de emergências. Sendo Poliana (personagem da literatura
infantojuvenil e conhecida por sempre ver algo positivo em tudo), é bom que
sejamos desconhecidos ou conhecidos por apenas ficarmos conversando uns com
os outros. Significa que está tudo bem. Mas não é bem assim…

Temos evidências de que vários setores do nosso país estão convergindo rumo
a catástrofes antrópicas anunciadas. E por antrópicas, entenda-se devidas à
ação ou falta de ação do homem na prevenção de um mal previamente
anunciado. E, por homem, entenda-se o indivíduo ou o governo.

Ao voltamos nossa atenção para o setor educacional, a percepção geral é de
que estamos em um estado de latente declínio há muitos anos. A maioria da
população brasileira só tem acesso ao ensino público apenas nos níveis
fundamental e médio. Mas, sem um fundamento de qualidade, é utopia desejar
que essas pessoas possam competir em caráter de igualdade, sem a
necessidade de que concessões de ordem racial ou de renda lhe sejam feitas
para que tenham acesso ao ensino superior. E, ao alçarem para o ensino
superior, acabam não tendo fundamentos sólidos para receber os novos
ensinamentos.

Sem entramos no mérito (mais apropriadamente demérito) da questão, o fato é
que vivemos vários tipos de catástrofes em nosso país. Temos catástrofes
nos setores de saúde, em vários setores sociais, na política, nas áreas
tributárias, etc. Porém, a raiz da maior parte dos problemas no Brasil
parece ser mesmo a catástrofe educacional em que vivemos. É a falta de
educação não só no sentido acadêmico, mas no sentido amplo da palavra.

Esse não é um problema isolado do Brasil. Em muitos países, a educação vem
passando por sérios problemas, e pior ainda, existem lugares onde a
educação parece ser ruim por ações deliberadas dos governantes. Não
acreditamos que esse seja o caso do Brasil. É mais provável que grande
parcela de nossos governantes e legisladores, por representar a população
brasileira, também não teve acesso à educação de qualidade e, assim, possa
achar que um pouco já é muito. Seria apenas uma questão de referência. Ou
talvez, seria um nivelamento “por baixoâ€.

Mas há exemplos isolados onde pessoas têm trabalhado em projetos
educacionais que visam estimular o interesse de estudantes de todos os
níveis nas áreas de Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM). É
o ensino em STEM que forma profissionais nas áreas que mais fortalecem a
economia e desenvolvimento de um país. Os países mais desenvolvidos já se
deram conta disso há muito tempo. Existem programas bilionários de agências
espaciais onde há sempre um ramo, um experimento, uma atividade voltada
para a educação, para o ensino de crianças! Crianças???

São nas crianças que devemos estimular a curiosidade pelo descobrimento do
novo. É nelas que devemos orientar pela busca do conhecimento, pelo
respeito à aqueles que ensinam. Não é fácil mudar um jovem que, ao longo da
sua carreira acadêmica, já possua vícios, tais como o famoso “copiar e
colarâ€. Não é fácil ensinar um jovem que, ao longo da vida, não aprendeu
desde a sua infância a respeitar o mestre em sala de aula.

Isso não significa que a juventude está perdida. Felizmente não devemos e
nem podemos generalizar. Há jovens nos mais diversos níveis de escolaridade
que, em função de estímulos externos ou de uma aptidão nata, estão
totalmente capacitados para absorverem o conhecimento do novo quando são
devidamente estimulados ao serem expostos à novos desafios. E isso torna-se
um círculo virtuoso. Quanto mais aprendem, mas descobrem que há muito mais
para ser aprendido. E mais entendem a importância do ensinar com qualidade.

O radioamadorismo, por ser um hobby tecnológico, científico e social, tem
muito para oferecer a todos os níveis do ensino. Uma simples demonstração
da capacidade de se comunicar com outros países, por exemplo, dá margem à
exposíção de teorias que podem passear por diversas áreas do conhecimento,
tais como física, eletricidade, ótica, acústica, clima espacial,
meteorologia, eletrônica, informática, geografia, organização política,
história, etc. Basta saber estabelecer as conexões. A chave é
INTERDISCIPLINARIDADE! Além disso, o radioamadorismo oferece a oportunidade
de se aprender fazendo, de forma descontraída e interessante. Um
radioamador pode desenvolver projetos educacionais de forma independente ou
em parceria com um professor em uma escola local. Quanto maior o número de
radioamadores desenvolvendo projetos, maior o efeito multiplicador. Um
radioamador pode fazer muito para ajudar no combate à catástrofe
educacional. E novos radioamadores podem fazer muito mais! Nesee quadro, é
fácil imaginar a mudança do conceito geral sobre o que é um “radioamadorâ€.

Para se tornar radioamador é necessário estudar a legislação e ética
operacional e se submeter a um teste oficial. Sendo aprovado, obter o COER
(certificado de operador de estação de rádio) e solicitar a outorga para o
serviço de radioamador. É um processo natural, simples, mas recentemente
estamos tento alguns problemas. Os governantes não tem dado a devida
atenção ao Serviço de Radioamador. São percebidas ações que, voluntária ou
involuntariamente, dificultam aos radioamadores se manterem ativos no
serviço outorgado. Podemos citar o paradoxo da falta de comunicação com a
própria agência reguladora das (teles) comunicações, a ANATEL, que
dificulta a resolução de eventuais pendências. A falta de “disponibilidadeâ€
ou flexibilidade da citada agência no que se refere à aplicação de exames
para a obtenção do COER, dificulta muito para aqueles que desejam ser um
radioamador devidamente regularizado.

E, sim, há muitos que demonstram interesse em se tornar um radioamador
porque foram incentivados por pessoas próximas, amigos ou por puro
interesse no “treinamento próprio, intercomunicação e investigações
técnicasâ€, sem visar “qualquer objetivo pecuniário ou comercialâ€, na forma
que está escrito na legislação.

Mas, voltando à pergunta inicial: no Brasil, devemos comemorar o dia do
Radioamador?

Nos dias de hoje, as comunicações estão num patamar muito evoluído,
popularizado com os celulares de última geração, com acesso pleno à
internet. Há uma “dependência boa†do sistema atual de comunicação, tão
grande é a sua utilidade e importância. Mas para se comunicar com alguém,
nesse sistema evoluído, é necessário depender de muita gente: a começar das
geradoras de energia, das torres de celulares, das redes de dados. E quando
houver falha desse sistema, quando a comunicação se tornar estritamente
necessária, há ainda opção de poder contar apenas com uma pessoa: o
radioamador.

Então, respondendo à pergunta: SIM!!! Devemos comemorar! Devemos lembrar a
todos, radioamadores ou não, do que somos capazes, do que podemos fazer, da
importância que é sabermos estabelecer comunicações nas mais diversas
situações, sob as mais diversas condições, com um detalhe muito importante:
somos dependentes apenas de nós mesmos!

E não se esqueçam que ser um radioamador significa ser um potencial
colaborador para a minimização da catástrofe educacional na qual se
encontra o nosso país.

Temos que ter orgulho de sermos radioamadores. Podemos fazer muito para
ajudar nosso país, apesar dele ainda não saber. Depende apenas de nós
mesmos mostrarmos isso!

Feliz Dia dos Radioamadores!
Fonte: CRAM – Clube dos Radioamadores de Americana - São Paulo - Brasil
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