Re: ARLA/CLUSTER: Ainda acerca da alteração à legislação

João Costa > CT1FBF ct1fbf gmail.com
Domingo, 13 de Novembro de 2016 - 21:35:44 WET


Parabéns Rui pela tua brilhante, bem fundamentada e realista analise.

Se mais radioamadores portugueses pensassem da forma pondera e objectiva
como tu, os nossos problemas tinham sido resolvidos ontem. Ainda estou a
tentar a assimilar tudo o que escreveste, mas em relação ao colega
venezuelano existem dois culpados pela situação descrita.

- O primeiro, o próprio  governo da Venezuela por não se ter proposto
integrar na sua legislação as recomendações da CEPT e assim poder como não
membro, reciprocamente, obter os privilégios para os seus radioamadores
inclusive quando passam a residir nos paises subscritores (certificado
HAREC).

- O outro culpado seria Portugal, por não ter proposto ao governo da
Venezuela e atendendo à grande comunidade portuguesa emigrante nesse pais,
um protocolo de reciprocidade equivalente ao que existe na nossa legislação
com a Republica Federativa do Brasil.

Assim não sendo, temos essa lamentavel situação por ti bem  descrita.

Parabéns novamente pelo teu excelente texto.

João Costa (CT1FBF)

Em 13/11/2016 10:52, "Rui Oliveira" <oliveiracr7alw  gmail.com> escreveu:

> Bom dia.
>
> Muita "tinta" digital tem corrido estes dias a propósito da "novidade" da
> alteração do tempo mínimo de permanência na cat 3 para 6 meses. Tenho
> assistido sem tecer nenhum comentário, mas sinto-me agora compelido a
> intervir.
>
> Primeiro que tudo, que se contenham os festejos. Embora acredite que a
> intenção de quem trouxe a noticia seja boa, não é - de todo - novidade
> nenhuma. No inicio de Maio de 2015 redigi uma carta à ANACOM sobre este
> assunto. O resultado foi o convite para uma reunião na sede em Lisboa com o
> vice-diretor da gestão do espectro, Eng. Carlos Antunes, conhecido por
> maioria de nós (nem que seja de ouvir falar no nome). Tal reunião acabou
> por acontecer em Julho de 2015 não só com o Eng. Antunes mas também com a
> sua imediata superior, a Diretora da gestão do espectro, cujo nome me
> falha.
> Resultado: em primeiro ponto, eles apresentam-se irredutíveis quanto à
> necessidade de um tempo de espera. O que me disseram foi "Nós admitimos que
> dois anos seja demasiado tempo, mas 6 meses é razoável. Em seis meses uma
> pessoa compra um rádio e começa a fazer alguma escuta". Deixo este
> argumento para os colegas digerirem... Fazer o exame e só depois comprar o
> rádio. Claro, é exatamente assim que acontece não é? Isto é um indicador
> dos equívocos sobre o espírito do radioamadorismo que o regulador (enquanto
> "entidade", representado pelos seus membros) apresenta. E já nessa altura
> me tinha sido dito "ah sim, vamos passar para seis meses *quando tivermos
> tempo*". Será que tem tempo agora, ou ainda esta esse "asterisco" no
> discurso presente? Daí não estar de todo entusiasmado com esta noticia.
> Note-se mais uma vez que estamos a falar de uma reunião que já aconteceu há
> mais de um ano e as promessas já eram estas.
> A titulo de exemplo, já nessa reunião eu tinha sido informado que o "banco
> de perguntas" ia ser publicado e nestes moldes: metade das perguntas, pdf,
> sem respostas. Mas mais uma vez, o que me disseram foi que ia ser até
> Dezembro último. Lembro que as perguntas foram publicadas a 21 de Abril de
> 2016. E além disso, esta publicação já vinha a ser prometida, até onde sei,
> desde uns 3 ou 4 anos antes. Algo para pensar.
>
> Segundo ponto. Sim, a ANACOM parece estar aberta ao dialogo para *alguns*.
> O que a ANACOM não está, claramente, é com "pachorra" para mediar
> conflitos. A posição da ANACOM neste momento parece ser "se não se
> entendem, não estou para vos aturar". Quem os pode censurar? Por mais que
> as intenções sejam boas, as atitudes tem sido as mais corretas? Assistimos
> consistentemente a uma telenovela de drama (sirva a carapuça a quem quiser)
> em vez de objetividade e trabalho. "Ai a culpa foi deste e daquele e não
> sei quê e tem de ser assim e assado e etc etc". Houve há pouco tempo uma
> reunião na sede da ARRLx (esta
> <https://www.youtube.com/watch?v=td8Els-losA>), a qual eu infelizmente
> não pude estar presente nem participar no stream em direto. Mas o que
> parecia um passo na direção certa, pergunto-me se o foi mesmo. O que eu vi
> foi duas horas de radioamadores a dizerem todos o mesmo com palavras
> diferentes, sem chegarem a um acordo final, com o ocasional "anula-se isto
> tudo!" (porque que se lixem as recomendações/obrigações da ITU e da CEPT).
> Além de uns quantos defensores que assim é que é uma maravilha, a repetirem
> as palavras da ANACOM "Então assim é que esta bem. Pode operar HF e tudo.
> Só não é a sua estação. Maravilha!".
>
> Se alguém acha que a cat 1 devia incluir CW no acesso, muito bem, que
> ache. Direito a opinião temos todos. E eu respeitarei sempre as opiniões
> independentemente de concordar ou não com elas. Se alguém acha que os
> indicativos nos Açores deviam estar melhores do que o que estão, pois muito
> bem! Agora, todos aqui a atirar "postas de pescada" para o ar
> (ironicamente, como esta), não leva a lado nenhum. E permitam-me o dedo na
> ferida, mas petições públicas também não. É preciso é descodificar o *Decreto-Lei
> n.º 53/2009, de 2 de março* à letra, haver uma concertação que olhe para
> o futuro, não para o passado, que não queira saber de quem foi "a culpa",
> mas que queira saber de como se pode melhorar toda a situação. Seja sem
> dois anos, seja com indicativos dos Açores, seja a idade mínima, seja tudo
> e mais alguma coisa. Que se façam propostas, que se reúnam consensos (que
> vão exigir cedências de todas as partes [com partes, digo entre os
> radioamadores], aviso já) e que se entregue uma proposta de
> DL+"Procedimentos para o serviço de amador " pronta a assinar por baixo
> junto com argumentos irrefutáveis , estudados à letra e que mostrem como
> funciona realmente o radioamadorismo a quem aparentemente não tem a noção
> certa (e que eu não culpo). Não há um radioamador com um sobrinho advogado
> que possa ajudar?
> E sim, já sei de um documento entregue por várias associações aqui há uns
> anos. Que se entregue outra vez. Que se entregue todos os anos, semestres
> ou meses se for preciso. A atitude do "a minha parte esta feita" não fica
> bem a ninguém.
>
> Sinceramente, enquanto radioamador que fez o exame a 26 de Janeiro de
> 2015, que se está a preparar para fazer exame o mais depressa possível
> depois de 26 de Janeiro de 2017 provavelmente nada disto vai afetar. Mas
> afeta muitos outros. E afeta a entrada de pessoas neste hobbie. E não ser
> que os caríssimos colegas queiram que o* hobbie* vá para a cova connosco,
> talvez seja altura de por as divergências de lado e trabalhar num só
> sentido.
> Frustra-me imenso tudo isto. E frustra imenso a vergonha que sinto em ter
> um colega e amigo venezuelano que era radioamador no seu país de origem,
> com mais de 300 entidades DXCC contactadas, campeão mundial no WW WPX em
> Low power rookie SSB, SBB e QRP SSB em 3 anos distintos, e com uma paixão
> pelo rádio como nunca vi igual e que agora tem um indicativo CR7*** com
> tudo o que isso implica. Eu sinto-me frustrado da minha situação, nem
> consigo conceber a dele. Se isto não é uma situação absurda, não sei o que
> será.
>
> As minhas desculpas pelo comprido desabafo.
> 73
> Rui Oliveira
> CR7ALW
>
> _______________________________________________
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> CLUSTER  radio-amador.net
> http://radio-amador.net/cgi-bin/mailman/listinfo/cluster
>
>
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