ARLA/CLUSTER: Explicar as Esporádicas - Broadcastings a bombar

João Costa > CT1FBF ct1fbf gmail.com
Segunda-Feira, 21 de Setembro de 2015 - 13:16:01 WEST


---------- Mensagem encaminhada ----------
De: luis cupido <ct1dmk  gmail.com>
Data: 21 de setembro de 2015 03:17
Assunto: Re: [CT-Com. & Tec.] Broadcastings a bombar
Para: CT-Comunicações e Tecnologias
<ct-comunicacoes-e-tecnologias  googlegroups.com>
Cc: listas_ct1eat  sapo.pt


Viva Francisco,

Ora aqui está um tema interessante. Infelizmente não resulta muito bem
por mensagem
escrita... tem muitos promenores muitos conceitos rebuscados e tem efectivamente
muita fisica de plasmas a bem dizer quase só tem disso... perdão só
tem disso mesmo,
este é o aborrecimento maior da esporádica E, ela é apenas fisica de
plasmas mais nada.

Apenas uns comentários rápidos.

>>...houve duas ideias que me parecem muito interessantes para
>> explicar as esporádicas:
>> a primeira é que há fenómenos que existem na atmosfera que
>> tem (ou podem ter) repercussões muitos km acima;

Claro que sim, Temos um meio complexo cheio de particulas (às mais
diferentes altitudes) e
um comportamento de natureza caótico (no sentido matemático de caos,
em que pequenas
perturbações causam alterações grandes aparentemente não correlacionadas).
Isto em tudo se assemelha ao tempo (clima).

Quanto a previsões os amadores convenceram-se que a compreensão do fenómeno
proporcionará a previsão de forma taxativa e factual.
Ora aqui reside um enorme equivoco. Tal como no tempo eu até posso
prever se vai chover
ou fazer sol (sempre sem garantia alguma) mas não há previsão possível
que me diga qual
o tamanho altura da nuvem que vou ter às 10:45 da manhã de um determinado dia
nem a que horas exactas tenho um aguaceiro, muito menos uma tromba de agua.

Na Es temos um exigência que não fazemos com o tempo que é a
frequência da emissão
que pretendemos usar. Por exemplo os 144MHz estão num valor de
densidade tão alta que é
quase no máximo que se atinge na camada E o que diminui drásticamente
a probabilidade do fenómeno.
Por analogia tentar ter uma previsão para a Es em 144MHz seria como
tentar prever no pico do mau
tempo o local onde cai uma tromba de agua daquelas que alaga tudo (que
pode até nem acontecer).

Fazer previsões com 5 dias para a Es em 21MHz e 28MHz é tão fácil (ou
tão difícil *) como prever o tempo em
geral. (* deixo ao critério do leitor decidir se prever o tempo na sua
forma mais simples é tarefa fácil ou difícil).


> a segunda é que para haver reflexões é preciso
> que exista uma certa "estabilidade" da camada E,

Negativo. Para haver reflexão é preciso que se alcance a frequência
de corte no plasma. Ou seja é preciso que a densidade electrónica
seja superior a (f/9)^2  com "n=elect./m^3" e "f=Hz"
(calculo aproximado para uma reflexão a 90 graus num plasma frio
e campo magnético negligivel. Angulos de incidência mais baixos necessitam de
densidade inferior).


> que exista uma certa "estabilidade" da camada E,

Quanto à estabilidade, muito pelo contrário, é a instabilidade
(perfiro chamar turbulência) da camada E
que proporciona os picos de ionização que atingem a freq de corte.

---

Os casos de tentativas de explicação por via da estatistica e observação são
mais que muitos. Mas a cada passo se observa comentários e esforços de
explicação
que falham nas coisas básicas do que é um meio ionizado o que deita por terra a
tentativa de explicação.

A esporádica E é um interessante assunto do domínio da fisica dos plasmas, da
turbulência, da magneto-hidro-dinâmica e da toria do caos.
Ainda assim há a possibilidade de eu estar completamente enganado
a proposito de tudo isto.


Luis Cupido.
ct1dmk.

P.S. Com humor vos digo.
Que sei prever muito bem quando é que vai ocorrer esporádica E:
é algures por Maio a Agosto.
Ah... e tambem sei prever quando é que faz sol:
é de dia ;-)


On Sunday, 20 September 2015 17:36:32 UTC+1, Francisco Costa, CT1EAT wrote:
>
> Caro Cupido
>
> Muito obrigado pela sua explicação, se bem que, exclusivamente por
> ignorância minha, fiquei quase na mesma. É que, de física de plasmas, não
> percebo nada, hi.
> A ideia que expressei no email anterior foi baseada na minha experiência
> (apoiada pelos dados estatísticos) e em algo que ouvi recentemente numa
> palestra de Jim Bacon, G3YLA (desconhecido em CT, mas famoso por estas
> bandas - é uma espécie de Anthímio de Azevedo inglês). Durante a
> apresentação (sobre Tropo e SpE) disse muita coisa mas houve duas ideias que
> me parecem muito interessantes para explicar as esporádicas: a primeira é
> que há fenómenos que existem na atmosfera que tem (ou podem ter)
> repercussões muitos km acima; a segunda é que para haver reflexões é preciso
> que exista uma certa "estabilidade" da camada E, precisamente o contrário do
> que sucede durante os anos de pico solar. Claro que tudo isto ainda é muito
> pouco para dar uma explicação cabal, e muito menos para se poder pensar em
> previsões.
> Mas, no meu caso pessoal, quanto mais sei sobre SpE, menos quero saber, pois
> penso que a magia reside precisamente no facto de sabermos muito pouco sobre
> o fenómeno.
> No dia que forem previsíveis, o mais certo é a banda dos 2 m passar a ter
> tanto QRM quanto a dos 20m...
>
> 73 F.Costa, CT1EAT
> http://ct1eat.no.sapo.PT



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